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Por que o avião recolhe o trem de pouso?

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Você já se perguntou por que o avião recolhe o trem de pouso logo após a decolagem? Essa escolha não é estética nem automática por conveniência. Trata-se de uma decisão de engenharia diretamente ligada à aerodinâmica, performance da aeronave e economia de combustível. Neste artigo, você vai entender de forma clara e didática por que algumas aeronaves utilizam trem de pouso retrátil enquanto outras mantêm o trem de pouso fixo.

Por que o avião recolhe o trem de pouso?

Antes de mais nada, é importante compreender o que é o trem de pouso. Segundo Homa (2006), trata-se do conjunto de partes responsáveis por apoiar a aeronave no solo.

Além disso, o trem de pouso tem funções essenciais:

  • Amortecer os impactos do pouso
  • Permitir a frenagem da aeronave
  • Garantir controle direcional durante o taxiamento

Existem diferentes tipos de trem de pouso: com rodas (convencional ou triciclo), flutuadores (hidroaviões) e os anfíbios, que combinam ambos.

Ilustração dos tipos de trens de pouso possíveis
da esq. para dir. trem triciclo, hidroplano e anfíbio
Configurações de trem de pouso
Trem de pouso triciclo (esq.) e convencional (dir.)

Trem de pouso fixo e trem de pouso retrátil

Em aeronaves de baixa performance, o trem de pouso costuma ser fixo, permanecendo exposto durante todo o voo. Normalmente, são aviões que operam abaixo de cerca de 250 kt (463 km/h).

Acima dessa faixa de velocidade, conforme explica Saintive (2011), os efeitos de compressibilidade do ar tornam-se relevantes e o arrasto aerodinâmico cresce rapidamente.

Como o arrasto aerodinâmico influencia a decisão

A força de arrasto depende diretamente da velocidade e da área frontal exposta da aeronave, sendo expressa pela equação:

Fd = ½ · ρ · A · Cd · V²

Onde:

  • Fd – Força de arrasto
  • ρ – Densidade
  • A – Área frontal
  • Cd – Coeficiente de arrasto adimensional
  • V – Velocidade

Ou seja:

  • O arrasto cresce com o quadrado da velocidade
  • Quanto maior a área frontal, maior a resistência ao avanço

Portanto, recolher o trem de pouso, reduzindo a área frontal, é uma forma eficaz de diminuir o arrasto aerodinâmico.

Por que recolher o trem de pouso melhora a performance?

Você certamente ja colocou a mão para fora do carro e percebeu que quanto mais veloz, mas força é necessaria para “segurar” a mão no lugar. Sendo assim, o mesmo se aplica à aeronave. Ao recolher o trem de pouso, a aeronave passa a apresentar:

  • Menor resistência ao avanço
  • Maior eficiência aerodinâmica
  • Redução no consumo de combustível

Em aeronaves que voam em altas velocidades, essa redução de arrasto representa um ganho significativo de performance, justificando o uso do trem de pouso retrátil.

Trade-off: eficiência versus complexidade

Entretanto, apesar dos benefícios aerodinâmicos, a adoção de um trem de pouso retrátil envolve um compromisso técnico.

Nesse sentido, entre os principais custos estão:

  • Aumento de peso estrutural
  • Maior complexidade mecânica e hidráulica
  • Manutenção mais exigente
  • Mais pontos potenciais de falha

Bem como, em aeronaves leves, esse aumento de peso pode reduzir a carga útil e tornar o sistema inviável do ponto de vista operacional.

Procedimentos operacionais e segurança

O uso do trem de pouso retrátil também envolve procedimentos padronizados de segurança. Ademais, no circuito de tráfego, é comum o piloto anunciar:

“Perna base, baixado e travado.”

Por fim, esse procedimento confirma que o trem está corretamente estendido e travado antes do pouso, reduzindo o risco de acidentes.

Exemplo de fonia no circuito de tráfego com enfase no trem de pouso
Circuito de tráfego e call outs

FAQ

Por que o avião recolhe o trem de pouso?

O avião recolhe o trem de pouso para reduzir o arrasto aerodinâmico. Ao diminuir a área frontal exposta ao fluxo de ar, a aeronave voa de forma mais eficiente, melhora sua performance e reduz o consumo de combustível, especialmente em altas velocidades.

O que é o trem de pouso de uma aeronave?

O trem de pouso é o conjunto de componentes responsável por apoiar a aeronave no solo, absorver os impactos do pouso, permitir a frenagem e garantir o controle direcional durante o taxiamento.

Qual a diferença entre trem de pouso fixo e trem de pouso retrátil?

O trem de pouso fixo permanece exposto durante todo o voo e é comum em aeronaves de baixa performance. Já o trem de pouso retrátil é recolhido após a decolagem para reduzir o arrasto aerodinâmico, sendo utilizado em aeronaves mais rápidas.

Recolher o trem de pouso realmente economiza combustível?

Sim. A redução do arrasto aerodinâmico diminui a resistência ao avanço da aeronave, o que resulta em menor consumo de combustível ao longo do voo.

Por que nem todos os aviões usam trem de pouso retrátil?

Porque o trem de pouso retrátil aumenta o peso, a complexidade mecânica e os custos de manutenção. Em aeronaves simples, esses fatores superam os ganhos aerodinâmicos, tornando o trem fixo a solução mais eficiente.

O recolhimento do trem de pouso compromete a segurança?

Não. O sistema é projetado com redundâncias, alarmes e procedimentos operacionais que garantem que o trem esteja corretamente estendido antes do pouso, incluindo sistemas alternativos de extensão em caso de falha.

Conclusão

Em resumo, o avião recolhe o trem de pouso para reduzir o arrasto aerodinâmico e melhorar sua performance. No entanto, essa solução só se justifica quando os ganhos superam os custos de peso, complexidade e manutenção.

Por isso, aeronaves de alta performance utilizam trens retráteis, enquanto aviões simples geralmente mantêm o trem de pouso fixo como a opção mais eficiente dentro de seu envelope operacional.

Referências

  • HOMA, Jorge. Aeronaves e motores. São Paulo: Asa, 2006.
  • SAINTIVE, Newton Soler. Aerodinâmica de alta velocidade. São Paulo: Asa, 2011.

Sobre o autor:

Ricardo Sandrini é piloto e analista de soluções tecnológicas, com experiência em automação industrial, sistemas SCADA, PLCs e arquitetura de dados industriais. Atua na interface entre engenharia, dados e operação, com passagens por projetos nos setores de energia, saneamento, aeroespacial, biotecnologia e indústria de processos.

Trabalha com análise de dados aplicada, IoT e sistemas MES/MOM, utilizando ferramentas como R, Python, InfluxDB e Grafana. Tem interesse especial em aviação, instrumentação e na tradução de temas técnicos complexos em conteúdo acessível, mantendo rigor técnico e pensamento crítico.

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